LIVRO COMO REAVIVAR A IGREJA DO SÉCULO XXI - O PODER TRANSFORMADOR DOS PEQUENOS GRUPOS
por José Umberto Moura, Ms.
Pastor, Doutorando em Pequenos Grupos, Teologia Pastoral (UNASP-EC). Criador e editor do site www.pequenosgrupos.com.br
Diretor de Desenvolvimento Espiritual (UNASP-EC)
umberto.moura@unasp.edu.br
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Burrill, Russell. Como Reavivar a Igreja do Século 21 - O poder transformador dos Pequenos Grupos . Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005, 176 pp.
O propósito do livro Como Reavivar a Igreja do Século 21 , segundo seu autor, "é explorar o raciocínio bíblico para comunidade de pequenos grupos" (p.19); "examinar uma visão bíblica de como Deus pretende que a igreja funcione e oferecer sugestões para criar uma igreja revolucionária que seja fiel aos ensinamentos e aos princípios nos quais a prática da igreja está edificada" (p.18).
O contexto em meio ao qual o livro se desenvolve refere-se inicialmente "ao adventismo ocidental, especialmente na América do Norte, e não ao adventismo no Terceiro Mundo"; e a sua problemática está focalizada a partir de algumas igrejas que "tomaram a iniciativa e criaram uma verdadeira comunidade baseada em pequenos grupos. Contudo, a grande maioria dos que experimentaram os pequenos grupos simplesmente os acrescentou a um programa já sobrecarregado da igreja local. Resultado: os pequenos grupos não se tornam a forma principal de funcionamento da igreja na América do Norte. Com isso os pequenos grupos funcionam por algum tempo e então são retirados do programa superlotado, e tornamo-nos ainda mais desanimados para experimentar algo novo" (20).
O argumento utilizado pelo autor soa bastante familiar também para a América do Sul e, particularmente, no Brasil, onde os pequenos grupos foram introduzidos, também, como mais um programa, acomodando-se aos demais e disputando, de maneira acirrada, seu espaço para sobrevivência. A convicção demonstrada careceu de preparo e paciência e se apoiou na expectativa de resultados numéricos e imediatos, distorcendo, assim, sua proposta bíblica e profética, descaracterizando seus propósitos e comprometendo suas possibilidades.
A justificativa para a defesa dos pequenos grupos complementa-se na consideração feita em torno do valor que os adventistas dão à orientação bíblica como base para todas as suas práticas, mas desconsidera a clara orientação divina quanto à formação dos pequenos grupos, inclusive, em seu argumento mais direto e pertinente feito por Ellen White, principalmente no texto abaixo; o mais claramente apelativo:
"A formação de pequenos grupos como base do esforço cristão foi-me apresentada por Um que não pode errar". O texto segue orientando igrejas grandes e pequenas a organizarem-se em "pequenas companhias" para realizarem trabalhos em favor de seus membros e pelos descrentes, "avançando em amor e união", "revelando tolerância e paciência como a de Cristo". "Ao trabalharem e orarem em nome de Cristo, seu número aumentará" ( Testimonies for the Church , vol. 7, p. 21 e 22).
"Essa única afirmação", declara Burrill, "deveria pôr fim a qualquer má vontade que qualquer adventista possa ter em relação ao ministério de pequenos grupos. Ellen White não poderia ter se expressado mais claramente" (p. 149).
Paralela e concomitantemente à defesa dos pequenos grupos, Burrill defende, também, a necessidade da igreja desenvolver-se em comunidades. "Acho" diz ele, "que o coração dos pequenos grupos é o coração do que a igreja é: comunidade" (p. 20). "Este livro defende a tese de que é impossível ser cristão e não estar envolvido em uma comunidade" (p. 21). E o instrumento bíblico, histórico e profético para alcançar e manter-se em comunidade são os pequenos grupos. Esse argumento é explorado ao longo de todo o livro.
"O elemento relacional", acredita o autor, "foi inteiramente perdido na maioria das igrejas. Uma ênfase desequilibrada no aspecto cognitivo e até certo medo do aspecto relacional substituiu o lindo equilíbrio do adventismo primitivo" (p. 143).
Russell Burrill apresenta neste livro uma apaixonada defesa dos pequenos grupos como base de funcionamento da Igreja. Sua abordagem parece dirigir-se a pessoas, ou grupos, que rejeitam o que ele demonstra ser a proposta bíblica e de Ellen White para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Apoiado no texto bíblico e do Espírito de Profecia, pelo testemunho da história e das experiências dos pioneiros, o autor vê argumentos e apelos definitivos para a formação inquestionável dos pequenos grupos.
"É hora da Igreja Adventista do Sétimo Dia restaurar o ministério dos pequenos grupos ao seu devido lugar, como o princípio organizador central" (p. 158).
